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Cultura
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Edifício

Uma arquitetura multi-secular

O imóvel n.º 5 da Rua D. Hugo, em cujo interior se localiza o arqueossítio, está situado no alto do Morro da Sé ou da Penaventosa, próximo da Catedral, em pleno Centro Histórico do Porto, Património Cultural da Humanidade. Foi construído sobre o alinhamento interno da cerca proto-românica, tendo a fachada voltada à Rua D. Hugo, antiga Rua do Redemunho ou do Redemoinho, assim designada em documentos do séc. XII e XIII. Já na época moderna a Rua D. Hugo passou a chamar-se Rua dos Cónegos, uma referência à expressiva presença dos cónegos da Sé do Porto que habitavam nesta antiga artéria do burgo, e mais tarde Rua de Traz da Sé. Parede exterior medieval e chaminé do século XIX


O edifício foi edificado no séc. XIX, recuperando paredes de anteriores construções, das épocas medieval e moderna. No Arquivo Municipal existe um pedido de construção de uma cocheira, feito por Manuel Cardoso Corte Real (AHMP, Plantas de Casas, L.45, fls.29-31), em 1871, para este local. Tudo indica que no terceiro quartel do séc. XIX terá existido um plano de regularização do troço inicial da rua: todas as fachadas dos imóveis situados junto ao Lg. de Vandoma são desta época, sendo que o Arco de Vandoma e posteriomente as Casas de Vandoma foram demolidas após 1855.

A fachada principal do edifício reflete a sobriedade do desenho urbano oitocentista, devendo datar da mesma época a intervenção realizada no lote contíguo, a Sul, porventura a residência principal do proprietário. Ambos os imóveis estão unidos pelo muro alto que segue ao longo da rua, coroado nas extremidades por dois elementos decorativos similares, aparentemente reintegrados numa nova função.

 

Vestígios arqueológicosEntre 1983 e 1984 o imóvel foi objeto de obras de reabilitação pelo CRUARB (Comissariado para a Renovação da Ribeira Barredo), dado o estado de degradação em que se encontrava. Com o aparecimento dos primeiros vestígios a obra foi interrompida de modo a permitir a realização de sondagens, pela equipa de arqueólogos entretanto contratada. O resultado das escavações foi de tal modo importante para o conhecimento da história do Porto, que foi decidido alterar o programa inicial, abrindo o espaço à fruição pública.

Marcas do passado
A obra oitocentista reaproveita paredes de construções anteriores, um fenómeno comum a muitos outros edifícios do Centro Histórico do Porto, cujas fachadas foram objecto de remodelação no séc. XIX, deixando intactas as restantes paredes das habitações, muitas vezes edificadas no período medieval ou moderno.

Observando o prédio pelo exterior, rapidamente nos apercebemos de diferenças no sistema construtivo, diferenças que o projecto de reabilitação dos anos 90 quis valorizar. Assim, na parede voltada a Norte vemos a fachada de uma habitação medieval, provavelmente dos sécs. XIV-XV, com as aberturas rematadas em arco ogival.

Trata-se de uma parede construída com fiadas regulares, de bons silhares de granito, caraterística da arquitetura medieval. Uma leitura mais atenta permite reconhecer que esta fachada, que ocupa apenas uma parte da atual parede N do imóvel, encontra-se invertida face à sua posição original. Ou seja, o que hoje se apresenta como a face externa, era outrora o interior da casa medieval.

 
Pilastra NWPor outro lado, no cunhal NW do actual prédio, existe uma pilastra com desenho corrente na arquitetura seiscentista do Porto, o que indicia a existência de uma ampliação do lote anexo ao edifício medieval até ao alinhamento atual da Rua D. Hugo, provavelmente no séc. XVII. A fachada do imóvel seiscentista seria mais alta que o prédio do séc. XIX, e tudo indica que pertencia às antigas Casas de Vandoma, habitação nobre que integrava o Arco de Vandoma, desaparecido em 1855, representado num conhecido desenho de Villanova Cardoso (BPMP).

Já a parede nascente do prédio atual, localizada sobre o alinhamento interno da cerca proto-românica, revelou diferentes fases construtivas: ao nível do alicerce pode corresponder a um primeiro alinhamento defensivo da época romana, enquanto que o paramento superior deve datar da época moderna, momento em que se regista o início da ocupação sistemática do "caminho de ronda" da antiga cerca. Esta parede integrava uma construção edificada sobre a muralha, e poderia integrar o conjunto das Casas de Vandoma.


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