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Edifício

O Sítio

A Casa Museu Guerra Junqueiro localiza-se na Rua de Dom Hugo, n.º 32, no bairro da Sé, na cidade do Porto. Antiquíssimo núcleo urbano, nas redondezas da actual Casa Museu foram descobertos vestígios de ocupações que remontam até à Idade do Ferro.

 

Posteriormente, este núcleo acabou sendo envolvido pelas duas muralhas do burgo portuense: a «Cerca Velha», obra dos fins do século IV, remodelada ao longo dos tempos; e a «Muralha Fernandina», construída entre 1336 e 1376, que alargou o perímetro da cidade.

 

A Rua de Dom Hugo também teve os topónimos de Rua de Trás da Sé e de Rua dos Cónegos. Envolve todo o núcleo episcopal e acolheu, em tempos, as residências dos mais importantes personagens da diocese. Um desses edifícios é o que actualmente alberga a Casa Museu Guerra Junqueiro. Esta, encosta-se ao Claustro Gótico da Sé do Porto, construído em 1385. De igual forma, faz fronteira com a cabeceira da Catedral, ampliação da primeira década do século XVII. Do outro lado, ergue-se o monumental Paço Episcopal, obra barroca da segunda metade do século XVIII.

 

As traseiras da Casa Museu dão para o Beco dos Redemoinhos, onde se destaca uma construção da primeira metade do século XIV, que pertenceu ao genealogista portuense Cristóvão Allão de Moraes (1632-1693).

 

Defronte da Casa Museu, no n.º 15 da Rua de Dom Hugo, localiza-se a Casa dos Freire de Andrade Bandeira Coutinho, construída em estilo barroco, entre fins do século XVII e princípios do século XVIII, e remodelada em 1978, pelo arq. Pedro Ramalho. Atualmente, está aqui sedeada a Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro e Luís Pinto de Mesquita Carvalho.

 

Mais acima, no n.º 5, fica a Ordem dos Arquitetos. No subsolo desta construção foram descobertos testemunhos de povoamentos sucessivos, que remontam até à Idade do Ferro (século V-IV a. C.).

 

Logo depois, no n.º 13, fica a Casa dos Leitão de Magalhães, depois vendida aos Alardo Barba de Menezes. É um prédio erguido entre os séculos XVII-XVIII.

 

Descendo a Rua de Dom Hugo, ainda se destacam duas casas-nobres: a Casa do Vigário-Geral Bernardo de Azevedo Carvalho (n.ºs 37-39), datada da década de 1720 e que, no século XIX, passou para a posse dos Condes de Samodães; e a Casa do Cónego Domingos Gonçalves Prada (n.ºs 41-45), também obra do século XVIII.

 

Finalmente, menciona-se a Capela de Nossa Senhora das Verdades, erguida entre os séculos XVII-XVIII, pelos Oficiais da Devoção de Nossa Senhora das Verdades e dotada pelo Cónego Domingos Gonçalves Prada, pelo que a sua administração confundiu-se com a da Casa contígua. Atualmente, é propriedade da Câmara Municipal do Porto.

 

 

Casa Museu Guerra Junqueiro - fachada principal

O Edifício

Envolvendo o núcleo episcopal, a via outrora conhecida como Rua de Trás da Sé ou Rua dos Cónegos, foi sendo ocupada pelas residências dos cónegos da Diocese Portuense. Entre estas, destaca-se a Casa do Dr. Domingos Barbosa, cónego magistral da Sé do Porto e administrador das obras da Catedral. Trata-se de um edifício de arquitetura civil de meados do século XVIII, apresentando-se como um dos bons exemplos de casas-nobres do Porto daquela centúria.

 

A obra deverá ter arrancado na década de 1730, sendo certo que, em 1735, redigindo o testamento, o seu proprietário declarava ser senhor de «uma nobre morada de casas com suas varandas, pátio e quintal, feitas de novo com despesas minhas».

 

Do cónego Dr. Domingos Barbosa foram herdeiros os parentes Barbosa de Albuquerque e, destes, os Pinto de Mesquita. Em 1934, foi comprada por Dona Maria Isabel Guerra Junqueiro (viúva de Luís Pinto de Mesquita Carvalho). Para acolher as coleções de seu pai, o poeta Abílio Guerra Junqueiro, e manter o mais possível a disposição que o mesmo lhes dera, surge a necessidade de um projecto de restauro do edifício. Este projecto, datado de 1940, dividiu a casa em duas áreas: a de exposição e a de residência da doadora.

 

Em 1977, o edifício foi classificado Imóvel de Interesse Público. Em 1988, o mau estado de conservação do edifício e a infestação de formiga branca, levou a Divisão de Salubridade a declarar o edifício em estado de ruína. Nos finais de 1992, a Casa Museu manteve-se encerrada ao público para obras de remodelação e ampliação, de acordo com o projeto do arquiteto Alcino Soutinho. O novo espaço, aberto em 1997, foi ampliado com áreas de caráter museológico e com novas áreas de lazer: auditório, loja e cafetaria.

 

Acede-se à Casa Museu Guerra Junqueiro cruzando um portão majestoso, em pedra, ladeado por dois leões rompantes e duas flores-de-lis, motivos associados ao brasão dos Barbosa de Albuquerque. A pedra-de-armas, que ali existiu em tempos, foi apeada.

 

No pequeno jardim, repousa uma escultura em bronze, da autoria do Mestre Leopoldo de Almeida, que imortaliza o poeta Guerra Junqueiro.

 

Durante muito tempo a conceção deste edifício foi atribuída a Nicolau Nasoni, fato que hoje se refuta. Contudo, continua desconhecido o nome do arquiteto responsável pelo seu risco.

 

A fachada apresenta de caraterísticas Setecentistas, bem ao gosto do barroco portuense. É simples, pouco ornamentada e de linhas harmoniosas. A sua verticalidade é acentuada por um eixo central, constituído pela porta principal, pela janela da sobreloja, pela janela do andar nobre e pelos dois mirantes que, colocados nos extremos do edifício, permanecem como reminiscências da casa nobre portuguesa.

 

Como ornamentos decorativos, distinguem-se as bandeiras das janelas de sacada, os frontões das portas do andar nobre e o elemento de ligação da porta principal e do óculo que a sobrepõe.

 

No rés-do-chão, abrem-se três portas de arco abatido, em pedra. A porta central dá para o átrio da casa. As outras duas são de maiores dimensões, dando uma delas para a antiga cocheira. A sobreloja tem quatro janelas de guilhotina; o andar nobre com um pé direito mais alto, apresenta cinco portas que dão para varandas com grades de ferro forjado; as duas torres, de cantos chanfrados e varandas de platibanda avançada, salientam-se acima do nível dos telhados.

 

A escadaria monumental do átrio, em pedra, destaca-se pela sua plasticidade. Segue o esquema um/dois em que um jogo de lanços de escadas alterna com patamares, num contraste de espaços cheios e vazios.

 

O varandim, que do andar mezzanino se recorta sobre o átrio em três grandes aberturas, constitui um elemento de forte teatralidade, tão ao gosto do século XVIII. É uma composição genuinamente barroca.

 

        

 

O Museu / Transformação do Edifício

Durante o século XX, este edifício conheceu vivências diversas. Em 1911, aqui funcionava a Escola Primária Masculina nº 63, funcionava com cinco salas de aulas, uma sala de biblioteca pública, uma cantina, o gabinete do Director. Constituía igualmente a residência do Director e sua família.

 

A propriedade da Casa mantinha-se, no entanto, na posse dos herdeiros do seu fundador – os Barbosa de Albuquerque, de quem passara aos Pinto de Mesquita Carvalho. Em 1934, Maria Isabel Guerra Junqueiro (1880-1974), viúva de Luís Pinto de Mesquita Carvalho (1868-1931), comprou a Casa aos sobrinhos do marido, para aqui reunir as coleções do pai. Posteriormente, doou o edifício à Câmara Municipal do Porto, a 25 de Março de 1940, por escritura lavrada na antiga Câmara, junto do Largo da Sé, pelo seu notário privativo.

 

Por Decreto-Lei nº 129/ 77, de 29 de setembro, este edifício foi classificado como Imóvel de Interesse Público.

 

Quando entrou na posse da Câmara, em 1940, o engenheiro Correia de Araújo elaborou o primeiro «Projecto de restauro do edifício onde vai ser instalada a casa de Guerra Junqueiro». A proposta considerava o edifício dividido em duas partes: a área de exposição ao público e a área de residência das doadoras (viúva e filha do Poeta Guerra Junqueiro), havendo alguns espaços de utilização comum. Ainda que integrada nas Comemorações do duplo Centenário da Nacionalidade Portuguesa e da Restauração, a obra acabou não sendo executada.

 

A Casa Museu foi inaugurada no dia 19 de junho de 1942, pelo Ministro de Educação Nacional, Dr. Mário de Figueiredo (1890-1969), sendo então realçado que o «espólio artístico e arqueológico do grande poeta Guerra Junqueiro é instalado na Casa Museu mantendo tanto quanto possível a disposição que o poeta lhe tinha dado».

 

Em 1949, foram ampliados os jardins da Casa Museu. Nos anos de 1975 e 1981, a Casa Museu esteve encerrada ao público para obras e remodelação na disposição das coleções.

 

Em 1992, foi novamente encerrada ao público para obras de remodelação da casa e construção de um novo edifício, de autoria do Arquiteto Alcino Soutinho (1930-   ). Este novo espaço contemplou áreas de reserva, de exposições temporárias, gabinetes técnicos e de direção.


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