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O Colecionador

Abílio Manuel Guerra Junqueiro colecionou ao longo da sua vida um importante «espólio artístico e arqueológico», que sua filha Maria Isabel Guerra Junqueiro de Mesquita Carvalho legou à Câmara Municipal do Porto.

 

Para além das coleções que integram o acervo da Casa Museu Guerra Junqueiro – cerâmica, pratas, armas, vidros e cristais, arte do metal, mobiliário, tecidos e tapeçarias (num total de 623 peças), legou ao Museu Nacional de Arte Antiga esculturas, cruzes e turíbulos, assim como uma estante gótica de ferro forjado.

 

A Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro e Luís Pinto de Mesquita Carvalho possui, igualmente, coleções de Artes Decorativas e de Pintura que, provavelmente na sua grande maioria, terão pertencido a Guerra Junqueiro.

 

Guerra Junqueiro foi uma pessoa viajada para o seu tempo. Em 1878, é nomeado Secretário-Geral do Governo Civil em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, Açores. Regressa à Metrópole em 1879, sendo transferido para Viana do Castelo, onde é eleito pelo círculo de Macedo de Cavaleiros para a Câmara de Deputados.

 

Casou em 1880 com Filomena Augusta da Silva Neves, filha do Comendador Sebastião da Silva Neves, homem de posses de Viana do Castelo. Com a legítima paterna de sua mulher que rondava os trinta contos, Guerra Junqueiro utilizou «doze contos em coisas antigas, principalmente em peças de arte religiosa, em quadros, em louça portuguesa do século XVI, e em algumas peças italianas ou hispano-árabes, que feitas as contas, me saíram a 1750 cada uma», como relatou em 1919 a Raul Brandão.

 

Cedo se revelou apaixonado pelo bric-à-brac, situação que se evidencia na sua correspondência com Bernardo Pindela.

 

Guerra Junqueiro era muitas vezes caricaturado como colecionador de arte, representado como um judeu usurário, com um burro carregado de antiguidades, o nariz adunco e as barbas compridas de judeu.

 

Guerra Junqueiro tinha o vício das antiguidades, percorrendo o país, em especial junto à fronteira com Espanha. Comprava o que lhe aparecia, vendendo depois o que não lhe interessava. Desfazia-se igualmente do que lhe desse ganho.

 

Em 1887 faz uma segunda digressão a Paris, onde é recebido num almoço íntimo por Dom Pedro II, Imperador do Brasil.

 

Guerra Junqueiro afirma, em 1888, a seu amigo Bernardo Pindela querer desfazer-se do «seu bric-à-brac luxuoso e transformar contadores e chinesices numa soberba bacelada de vinho fino, nas arribas do Douro».

 

O 1.º Conde do Ameal comprou, em 1889, uma grande parte das suas coleções de arte, com a condição de as legar mais tarde a um museu, segundo contou Guerra Junqueiro a Raul Brandão, em março de 1919.

 

Guerra Junqueiro vende a maior parte das suas coleções artísticas entre 1895 e 1903, por precisar de dinheiro para as plantações de vinha nas suas propriedades.

 

Do mesmo modo, vende quatro lotes das suas coleções de arte, entre 1887 e 1889, a José dos Santos Libório, negociante de Antiguidades de Lisboa. Uma parte destes lotes foi adquirida pelo Rei Dom Carlos e pela Rainha Dona Amélia, pela Duquesa de Palmela, pela Condessa de Vale Flor, etc..

 

Terá proposto, em 1908, à Câmara Municipal do Porto, a venda da sua coleção de Pintura por dois contos de réis, com a condição de vir a ser exposta no Museu Municipal, em duas salas com o seu nome. Nela se incluíam dois óleos do pintor espanhol El Greco: O Apóstolo Santo André e Cristo no Jardim, hoje no Szépművészeti Múzeum (Museu de Belas-Artes de Budapeste).

 

Acusado por Homem Cristo, no artigo «Bandidos», de ter vendido objetos sem valor como preciosidades, ao Rei Dom Carlos e à Rainha Dona Amélia, por intermédio do antiquário José dos Santos Libório, defende-se no jornal «A Pátria» com o artigo «A Execução de uma Quadrilha».

 

Viaja de novo para o estrangeiro. Instala-se em Berna, na Suiça, como Ministro Plenipotenciário da República Portuguesa junto da Confederação Suíça, a partir de 1911. Desloca-se a Paris nesse ano por razões de saúde.

 

Sua filha Maria Isabel casa com Luís Augusto de Sales Pinto de Mesquita Carvalho, em 1911. Por necessidades de dinheiro para realizar o casamento, vende um lote de trinta e nove quadros, aguarelas e desenhos à Academia Real de Belas Artes, hoje Museu Nacional de Arte Antiga, pelo valor simbólico de um conto e setecentos mil réis.


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