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Armazéns da Casa do Cais Novo

Os Armazéns da Casa do Cais Novo começaram a ser construídos no arranque do último quartel do século XVIII. Pertenciam a José Pinto da Cunha Godinho Saavedra, 11.º Senhor da Casa da Praça e 2.º Senhor da Casa do Cais Novo, ainda menor, pelo que tendo por tutor seu tio paterno Pantaleão da Cunha Faria.

 

Os Pinto da Cunha estavam ligados à direção da Companhia Geral da Agricultura e Vinhos do Alto Douro, criada em 1755, por Sebastião José de Carvalho e Mello, 1.º Conde de Oeiras e futuro 1.º Marquês de Pombal. José Pinto da Cunha Pimentel pertencera às primeiras mesas e seu irmão Pantaleão da Cunha Faria pertenceria às seguintes. Os Armazéns da Casa do Cais Novo foram expressamente destinados a depósito dos vinhos proveniente das propriedades que os Pinto da Cunha possuíam no Alto Douro, bem como dos vinhos provenientes da poderosa Companhia Geral da Agricultura e Vinhos do Alto Douro.

 

As obras só ficaram concluídas em 1798, já sob a direção de José Pinto da Cunha Godinho Saavedra, 11.º Senhor da Casa da Praça e 2.º Senhor da Casa do Cais Novo. Este, nasceu na freguesia de São Nicolau, no Porto, em 1756; e aqui casou, com Joseffa Nevill, 5 ª Senhora da Casa do Fôjo, em Vila Nova de Gaia.

 

 

Edifício de três pisos, todos com entradas independentes, apresenta uma estrutura resistente no interior. Aqui, desenvolvem-se duas naves, divididas por fortes pilares, sobre os quais assentam abóbadas.

 

Vários fatores contribuíram para o forte desenvolvimento dos Armazéns do Cais Novo e sua extensa utilização. Primeiro, a localização privilegiada: próximo da Alfândega do Porto, então instalada na Casa do Infante. Segundo, a existência de um cais próprio: o Cais Novo, com condições favoráveis ao embarque e desembarque dos navios que navegavam o Douro e o Atlântico. Terceiro, o envolvimento dos seus proprietários na direção da poderosíssima Companhia Geral da Agricultura e Vinhos do Alto Douro. Quarto, o enorme desenvolvimento que o comércio do Vinho do Porto conheceu ao longo dos séculos XVIII e XIX.

 

Não possuindo armazéns próprios, a Companhia Geral da Agricultura e Vinhos do Alto Douro confrontou a família Pinto da Cunha Saavedra com uma decisão de resposta em 48 horas: ou cedia parte dos seus armazéns, ou ficava sem a totalidade do edifício.

 

Mais tarde, em 1822, os Armazéns da Casa dos Cais Novo tornaram-se no principal depósito da Alfândega do Porto, para os géneros coloniais e do Brasil, passando a ser conhecidos como Alfândega de Massarelos. Assim permaneceram até 1872 e a passagem dos seus serviços para Edifício da Alfândega Nova. Então, os Armazéns do Cais Novo retornaram para a posse e administração dos iniciais proprietários.

 

Aquando das obras de requalificação do edifício, ocorridas entre 1999-2001, foi realizada uma intervenção arqueológica no interior, que permitiu identificar duas campanhas de obras: uma primeira, correspondente à construção das sapatas e pilares dos Armazéns, datável do último quartel do século XVIII; e uma segunda, do século XIX, relacionada com o levantamento do primitivo lajeado e a colocação de um aterro para assentamento de um novo piso, que reaproveitou as lajes do pavimento antigo. Estas transformações podem ter estado, eventualmente, relacionadas com os níveis de cheia do Rio Douro e com uma qualquer alteração da cota da Rua de Monchique.

 

Vestígios desses pavimentos antigos foram preservados nos vãos das entradas. Descobriram-se, ainda, um tanque e um poço, completamente entulhados. Do interior do tanque, recolheu-se um conjunto de louça doméstica, da segunda metade do século XIX, que ajuda a ilustrar o quotidiano portuense Oitocentista.

 

Também foi feita uma escavação arqueológica junto ao laçado Nascente do edifício. Aqui, identificou-se um tramo de muro, que havia sido posteriormente cortado pela construção de um aqueduto e que assegurava o transporte de águas. Estas estruturas datavam de meados do século XIX. Encontram-se, ainda, restos de uma calçada, que garantia o acesso à entrada lateral, constituída por pedras em granito, de tamanhos irregulares. Dataria dos fins do século XVIII ou inícios do século XIX. No que se refere a espólio, foram recolhidos vidros, metais e fragmentos cerâmicos, com uma cronologia que se estende desde o século XVI até ao século XX.

 

As obras de requalificação dos espaços térreos deste edifício foram motivadas pela sua adaptação a Museu do Vinho do Porto, tendo começado em 2001 e terminado em 2004, sob a condução técnico do arquiteto Humberto Vieira.

 

A 15 de Janeiro de 2004, foi inaugurado o Museu do Vinho do Porto.


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