O Centro Histórico do Porto é o resultado de um longo processo histórico, social e artístico. Trata-se de um Sítio de grande valor estético, testemunho de um desenvolvimento urbano desde tempos primitivos, com vestígios arqueológicos que comprovam a sua ocupação desde o século VIII a.C.
O seu posicionamento estratégico foi primordial para a implantação de um povoado da Idade do Ferro, sucessivamente ocupado por Romanos e cristãos da Reconquista, bem demarcado por um perímetro de muralhas.
Núcleos da Presúria Cristã
A Idade Média caracteriza-se pelo aumento demográfico e urbano do burgo, sempre ligado ao comércio marítimo. Criam-se estruturas de apoio à navegação e ao comércio ultramarino, surge a necessidade de protecção e com ela um novo pano de muralhas, iniciadas no reinado de D. Afonso IV e terminadas no de D. Fernando (daí a denominação de fernandinas).
Dois grandes pólos urbanos caracterizaram o burgo medieval: a zona ribeirinha, com a sua ligação ao rio e por sua vez às comunicações, trocas fluviais e marítimas; e o morro junto à Sé, onde o domínio clerical foi acentuado a partir da doação do couto por D. Teresa ao bispo D. Hugo. Séculos XII-XV
No período renascentista surgem novas construções e mudanças de padrões de comportamento. No entanto, foi o século XVIII que trouxe as grandes transformações urbanísticas, com o advento da estética Barroca, de Nicolau Nasoni e principalmente com a chegada do corregedor João de Almada e Melo, após o terramoto de 1755.
A partir desta altura o interesse público torna-se primordial, cria-se um organismo responsável pelo desenvolvimento urbano da cidade: a Junta de Obras Públicas. Grandes edifícios e obras são implementados: reestruturação da Praça da Ribeira, abertura da Rua de São João, criação da Praça de São Roque, construção da Feitoria Inglesa.
O Liberalismo, do século XIX, impôs novas teorias de urbanismo, que provocam a demolição de imóveis e a construção de novos empreendimentos e de estruturas viárias, que, por sua vez, levam à destruição de parte do pano de muralhas. Em simultâneo vem a extinção das Ordens Religiosas (1834), cujos edifícios são demolidos, abandonados ou ocupados com outras funcionalidades.
A ocupação galopante no século XX adensa o tecido urbano, provocando sérias carências a nível de infra-estruturas, o que conduz à implementação de um Plano de Melhoramentos (1914) com intervenção de Barry Parker. Entre 1914 e 1962, surgem vários planos urbanísticos que vão dar origem ao Plano Director Municipal de Robert Auzelle (1962).